Pedro nos clássicos ganhou novo peso depois da vitória do Flamengo por 4 a 1 sobre o Vasco, na quinta-feira, no estádio Nilton Santos. Com dois gols, o centroavante encerrou um mês sem marcar pelo clube e completou seis tentos nos seis clássicos disputados pelo Rubro-Negro no Brasileirão, aproximando-se de Bruno Henrique no ranking de artilheiros do século.
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Pedro nos clássicos: seis gols contra os rivais cariocas
A sequência do camisa 9 teve gols diante dos três principais adversários estaduais: foram três contra o Vasco, dois diante do Fluminense e um sobre o Botafogo. O desempenho fechou o chamado bingo dos rivais no campeonato e superou a melhor marca de Bruno Henrique em uma edição da Série A, registrada em 2019.
O recorte chama atenção não apenas pela quantidade, mas pela distribuição. Pedro marcou contra cada um dos três rivais do Rio de Janeiro e chegou a seis gols em seis partidas desse tipo. É uma produção que transforma os clássicos em parte central de sua campanha no torneio, em vez de depender de uma sequência concentrada contra um único adversário.
Os dois gols contra o Vasco também tiveram um efeito imediato para o atacante. Além de ajudar a construir a goleada, encerraram um intervalo de aproximadamente um mês sem balançar a rede pelo Flamengo. A resposta veio num jogo de alta exposição e contra um rival direto, cenário que ampliou a repercussão da atuação.
O interesse por confrontos de campeonato também aparece em outras partidas acompanhadas pelo público, como a cobertura de Corinthians e Mirassol. No caso de Pedro, porém, o dado decisivo é específico: os gols foram marcados em clássicos cariocas válidos pelo Brasileirão.
Bruno Henrique ainda lidera, mas Pedro encurtou a distância
Na contagem de gols em clássicos pelo Flamengo neste século, Bruno Henrique aparece na frente, com 22 bolas na rede entre 2019 e 2026. Pedro chegou a 20 entre 2020 e 2026, mesmo tendo sido contratado um ano depois do companheiro. Gabigol também terminou sua passagem pelo clube com 20 tentos nesse tipo de confronto.
A diferença entre os dois atuais atacantes é pequena o bastante para manter a disputa aberta. Pedro está a dois gols do líder e tem mais uma temporada de clássicos pela frente em relação ao período contabilizado para Bruno Henrique. Essa comparação, no entanto, precisa considerar que números acumulados não medem sozinhos a importância de cada gol nem o número de partidas disputadas.
O ranking do século apresentado na apuração também inclui Renato Abreu, com 12 gols; Adriano, Hernane Brocador e Arrascaeta, com dez cada. No levantamento histórico do clube, o topo permanece distante: Zico marcou 58 vezes contra os principais rivais cariocas. Bruno Henrique soma 22 e Pedro já aparece na 13ª posição dessa lista.
Há uma diferença de escala entre os rankings. A marca de Pedro na contagem do século o coloca entre os principais goleadores rubro-negros da era recente, mas sua posição no quadro histórico ainda está atrás de nomes de diferentes gerações. Zico, por exemplo, construiu uma vantagem expressiva ao longo de quase duas décadas, enquanto o camisa 9 segue em atividade e pode ampliar seu total.
O que a marca revela sobre a temporada do Flamengo
O aproveitamento de Pedro nos clássicos se encaixa num cenário de bom desempenho coletivo do Flamengo diante dos rivais brasileiros. O balanço citado pela cobertura aponta 89% de aproveitamento nos clássicos, enquanto o técnico Leonardo Jardim permanece invicto contra esses adversários no país. Esses números ajudam a dimensionar o ambiente favorável, mas não retiram do centroavante o mérito de ter participado diretamente das vitórias com gols.
Em jogos grandes, o papel de um centroavante não se resume a finalizar. A equipe precisa criar condições para que ele receba a bola em zonas perigosas, enquanto o atacante deve aproveitar oportunidades mesmo quando o jogo oferece poucos espaços. Os seis gols de Pedro indicam eficiência no recorte dos clássicos, embora não permitam, por si só, concluir que todos os jogos tiveram o mesmo nível de domínio ou dificuldade.
Esse cuidado é importante ao comparar temporadas e jogadores. Um total maior pode decorrer de mais partidas, de diferentes formatos de competição ou de mais oportunidades criadas pelo time. A marca de Pedro ganha força porque foi obtida nos seis clássicos possíveis do Brasileirão, mas o ranking geral considera gols acumulados ao longo de vários anos e torneios.
O calendário nacional oferece outros exemplos de como cada duelo pode ganhar relevância própria dentro de uma campanha, como mostra a cobertura de Criciúma e Ponte Preta. Para o Flamengo, a sequência contra Vasco, Fluminense e Botafogo também virou um termômetro de rendimento e uma vitrine para os principais nomes do elenco.
Artilharia do Brasil e disputa que ainda está em aberto
Os gols contra o Vasco recolocaram Pedro no topo da lista de artilheiros do Brasil em 2026. O atacante chegou a 28 gols no ano, sendo 27 em partidas oficiais e um em amistoso contra o Olimpia, do Paraguai. Com esse total, ultrapassou Mikael, do CRB, que tinha 27.
A soma anual não deve ser confundida com a artilharia do Campeonato Brasileiro. Na Série A, Pedro alcançou 18 gols e está três atrás de Viveros, do Athletico-PR, líder da disputa com 21. Restavam cinco rodadas para o fim do torneio quando os dados foram divulgados, o que mantém a corrida aberta, mas deixa o centroavante diante de uma diferença que precisa ser reduzida jogo a jogo.
Essa distinção entre competições é relevante: um amistoso entra na contagem total do ano, mas não na tabela oficial de goleadores do campeonato. Para avaliar a chance de Pedro terminar como artilheiro do Brasileirão, o número mais útil é o de gols na Série A, não o total acumulado em partidas oficiais e amistosas.
A eventual conquista teria valor especial porque é a artilharia que falta ao camisa 9 entre as competições citadas. Ele já terminou como goleador da Libertadores de 2022, da Copa do Brasil de 2026, da Copa Intercontinental de 2022 e do Campeonato Carioca em 2026 e 2026. O Brasileirão, pela duração e regularidade exigida, segue como objetivo pendente.
Seleção, retomada e próximos passos do camisa 9
A temporada de Pedro também chamou a atenção de Carlo Ancelotti e abriu caminho para seu retorno à Seleção Brasileira. O atacante marcou na goleada do Brasil por 4 a 0 sobre a Índia, em amistoso realizado no início do mês. Depois da Data Fifa, porém, atravessou um período sem gols pelo Flamengo até reencontrar a rede no clássico contra o Vasco.
Após a partida no Nilton Santos, Royal elogiou a qualidade e o trabalho do companheiro e destacou a importância de vê-lo voltar a marcar. A manifestação resume o impacto que o gol teve para o grupo, sem transformar um jogo isolado em garantia de continuidade: a regularidade dependerá das próximas atuações e das oportunidades criadas pela equipe.
O Flamengo ainda tinha cinco rodadas do Brasileirão pela frente no momento do levantamento. Para Pedro, a prioridade prática era manter a produção e tentar reduzir a distância para Viveros. Para o clube, os gols em clássicos reforçavam a contribuição de um centroavante que disputa espaço entre os principais goleadores da temporada e entre os maiores nomes recentes da história rubro-negra.
A disputa pelo posto de Rei dos clássicos também segue aberta. Bruno Henrique conserva a liderança do século, mas Pedro diminuiu a diferença e já ocupa uma posição de destaque no ranking histórico. Se mantiver a presença nos jogos decisivos e continuar convertendo as chances, o camisa 9 terá condições de pressionar o companheiro; por enquanto, os números mostram uma perseguição consistente, não uma troca de liderança.
O próximo indicador a observar é a combinação entre gols na reta final do Brasileirão e novos resultados contra rivais. A marca de seis tentos em seis clássicos já está consolidada; a artilharia nacional e a aproximação definitiva de Bruno Henrique dependem do que vier nos jogos seguintes. A vitória sobre o Vasco devolveu Pedro à pauta com força, mas a confirmação de seu novo patamar será construída partida a partida.

