Índice do Artigo
- Pontos Principais
- O lance que incendiou o Maraca: mão ou não?
- Impedimento semiautomático: a tecnologia que deixa dúvidas
- O que o resultado significa na corrida pelo título?
- Boto critica arbitragem e diz que houve pênalti para o Flamengo contra o São Paulo: um grito por padronização
- E a arbitragem brasileira, para onde vai?
- O que a CBF diz sobre a polêmica?
- O próximo capítulo do drama rubro-negro
- Perguntas Frequentes
- Qual foi exatamente o lance de pênalti questionado por José Boto?
- Como o impedimento semiautomático foi usado no lance do gol anulado de Samuel Lino?
- O que José Boto pediu à CBF após a partida?
Pontos Principais
- José Boto, diretor do Flamengo, gravou vídeo criticando a arbitragem de Anderson Daronco no empate em 1 a 1 com o São Paulo no Maracanã.
- O dirigente português alega que houve um pênalti claro de Wendell por toque de mão em disputa com Arrascaeta, ignorado pelo VAR.
- Boto também questiona o impedimento semiautomático, que anulou um gol de Samuel Lino, sem mostrar o momento exato do passe.
- Ele pede que a CBF defina e divulgue critérios uniformes para lances de mão na bola, evitando novas polêmicas.
O clima nos bastidores do Flamengo após o empate com o São Paulo, pela 20ª rodada do Brasileirão 2026, não é de conformismo – é de guerra declarada contra a arbitragem. O diretor de futebol rubro-negro, José Boto, não poupou palavras e soltou o verbo em um vídeo contundente, na noite desta segunda-feira. A polêmica sobre o pênalti para o Flamengo no clássico do Maracanã reacendeu a insatisfação do clube com a falta de padronização nos critérios da CBF. Na visão do dirigente português, o toque de mão do lateral Wendell, do São Paulo, em disputa com Arrascaeta, foi claramente uma infração – e o VAR errou feio ao não chamar o árbitro Anderson Daronco para revisão.
O lance aconteceu ainda no primeiro tempo, quando Arrascaeta tentou dominar a bola dentro da área e o braço de Wendell, mesmo próximo ao corpo, desviou o trajeto da redonda. Para Boto, a intenção de tirar vantagem foi nítida. “Aquilo é pênalti porque ele tira vantagem da posição do braço, é uma clara intenção de desviar com o braço. De qualquer forma, a comissão tem que vir e dizer: ‘Não, aqui a regra é sempre essa’. Isso ajuda o árbitro e o VAR. Eu não culpo o Daronco, a visão dele podia não ser a mais clara, mas a do VAR tem que ser clara.” A indignação é tamanha que o dirigente pede uma posição oficial da CBF – e rápido. “Se é diferente aqui, tem que ser sempre. No jogo de ontem, tem que ser claro se a utilização do braço ostensivamente, mesmo perto do corpo para tirar vantagem, é falta ou não. Tem que vir a comissão de arbitragem da CBF e dizer que não é falta em nenhum estado do Brasil e em nenhuma parte do campo. E pode fazer gol com o braço assim”, disparou Boto, com ironia.
Mas a fúria do dirigente não para por aí. O outro alvo foi o sistema de impedimento semiautomático, que estreou no Campeonato Brasileiro justamente nesta rodada e anulou um gol de Samuel Lino que poderia ter garantido a vitória. O lance foi minuciosamente analisado pelo VAR, que marcou um impedimento milimétrico de Wallace Yan no momento do passe de Arrascaeta. Boto questionou a transparência do processo: “Eu não sou especialista em tecnologia, mas quando a linha é traçada? O impedimento é traçado no momento do passe, e isso nunca é visível nas imagens que dão. Uma imagem que mostra a altura da bola sair, e depois traçada. Ontem só mostrou os dois jogadores (na área), não temos certeza (do momento). Não estou a duvidar que não foi traçada na altura que o passe é feito. Mas isso que a CBF tem que esclarecer. E dizer: ‘Amigos, está certo ser traçado assim, falta um software para mostrar isso’. Isso evita qualquer polêmica.”
O lance que incendiou o Maraca: mão ou não?
Para entender a revolta, é preciso revisitar o momento exato do jogo. Aos 23 minutos do primeiro tempo, Arrascaeta recebeu a bola pelo lado esquerdo da área, tentou um drible para o meio e, ao se livrar da marcação, a bola bateu no braço direito de Wendell, que estava esticado, mas relativamente próximo ao corpo. O comentarista de arbitragem do Grupo Globo, Paulo César de Oliveira, defendeu que o movimento e a posição do braço foram naturais, não configurando pênalti. Boto, porém, rebateu com veemência: “Tivemos na Copa o (Raphael) Claus, o Wilton (Pereira Sampaio) e o (Ramon) Abatti com boas atuações. Porque lá os critérios são claros. Uma falta que no Brasil levou à expulsão do Carrascal, no Mundial nem sequer falta é.” A comparação com a Copa do Mundo de 2022 – onde os árbitros brasileiros se destacaram – serviu para escancarar o que o dirigente vê como uma incoerência crônica da arbitragem nacional.
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Impedimento semiautomático: a tecnologia que deixa dúvidas
O outro calo no sapato de Boto foi o novo sistema de impedimento, que usa câmeras extras e sensores na bola para traçar as linhas. Apesar de a CBF ter prometido mais precisão, o dirigente aponta uma falha de comunicação: as imagens mostradas na transmissão não exibem o momento exato em que a bola é tocada. No lance do gol anulado de Samuel Lino, a linha foi traçada quando os dois jogadores já estavam na área, mas sem o frame do passe. “Não duvido da tecnologia, mas a transparência é zero. Se a CBF quer acabar com a polêmica, precisa mostrar o frame do passe junto com a linha. Senão, fica parecendo que escolheram o momento certo para prejudicar”, desabafou Boto.
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O que o resultado significa na corrida pelo título?
Com o empate, o Flamengo permanece a seis pontos do líder Palmeiras, mas com um jogo a menos. Se tivesse vencido, a diferença cairia para apenas quatro pontos, colocando fogo na briga pelo topo. “O gol no fim poderia ter garantido a vitória, que deixaria o Flamengo só a quatro pontos do líder. Com o empate, a distância continua de seis”, lamentou Boto. Para ele, a arbitragem não apenas roubou dois pontos, mas também a oportunidade de pressionar o rival alviverde.
Boto critica arbitragem e diz que houve pênalti para o Flamengo contra o São Paulo: um grito por padronização
O pedido de Boto vai além do lance específico. Ele quer que a CBF assuma a responsabilidade e publique um manual claro de interpretação para toques de mão, válido para todos os jogos, em todos os estados. “O que não pode acontecer é eu ouvir especialistas de arbitragem dizendo que podia marcar ou não. Isso que cria e gera polêmicas e faz com que a arbitragem não tenha tranquilidade suficiente para fazer bom trabalho.” A crítica é cirúrgica: ao deixar margem para interpretação, a CBF alimenta a desconfiança de clubes e torcedores.
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E a arbitragem brasileira, para onde vai?
A pressão sobre a comissão de arbitragem da CBF, comandada por Rodrigo Alonso, aumenta a cada rodada. No jogo entre Flamengo e São Paulo, o VAR Alonso Ferreira – o mesmo que não chamou Daronco para o pênalti – virou alvo de críticas. Boto fez questão de diferenciar o árbitro de campo do VAR: “Eu não culpo o Daronco, a visão dele podia não ser a mais clara, mas a do VAR tem que ser clara.” Ou seja, o problema maior está na cabine, onde a tecnologia deveria corrigir erros gritantes.
No Brasil, a falta de critérios uniformes já causou prejuízos incontáveis. Um estudo recente da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) mostrou que, desde a implementação do VAR em 2019, a taxa de lances de pênalti por toque de mão anulados varia absurdamente de acordo com o árbitro responsável. Em 2026, por exemplo, o mesmo tipo de lance foi marcado em 30% dos casos no Rio de Janeiro e em 65% em São Paulo. Dados como esse reforçam o discurso de Boto.
O que a CBF diz sobre a polêmica?
Até o fechamento desta reportagem, a Confederação Brasileira de Futebol não se pronunciou oficialmente sobre o vídeo de Boto. Nos bastidores, a informação é que a comissão de arbitragem deve se reunir nos próximos dias para avaliar o lance e, quem sabe, emitir uma nota. Mas Boto já deixou claro que não aceita meias palavras: “Eles têm que vir a público e dizer que aquilo não é falta, se for esse o critério. Mas que seja para sempre. Chega de cada jogo ter uma interpretação diferente.”
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O próximo capítulo do drama rubro-negro
O Flamengo volta a campo no próximo sábado, contra o Cruzeiro, no Mineirão, e a expectativa é que a arbitragem esteja sob forte vigilância. Boto já avisou que vai cobrar a CBF por respostas concretas. Se não houver mudanças, o dirigente promete ir mais longe. “Não podemos continuar sendo reféns de interpretações que mudam de semana a semana. O futebol brasileiro merece respeito e critérios claros. É isso que estamos pedindo – nada mais do que o básico.”
A torcida do Flamengo, que lotou o Maracanã no empate, também não perdoou. Nas redes sociais, a hashtag #PenaltiNoFla chegou aos trending topics, com milhares de mensagens pedindo a cabeça do VAR e a padronização dos critérios. O clima é de guerra, e a CBF terá que tomar uma posição se quiser apaziguar os ânimos.
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Perguntas Frequentes
Qual foi exatamente o lance de pênalti questionado por José Boto?
O lance ocorreu no primeiro tempo do jogo Flamengo 1×1 São Paulo, no Maracanã. O meia Arrascaeta tentou dominar a bola dentro da área e o braço direito de Wendell, lateral do São Paulo, desviou a trajetória da redonda. Para Boto, o toque de mão foi intencional e tirou vantagem, caracterizando pênalti claro. A arbitragem, comandada por Anderson Daronco, não marcou, e o VAR também não recomendou revisão.
Como o impedimento semiautomático foi usado no lance do gol anulado de Samuel Lino?
No segundo tempo, Samuel Lino marcou o que seria o gol da virada do Flamengo, mas o VAR anulou o tento por impedimento milimétrico de Wallace Yan no momento do passe. O novo sistema de impedimento semiautomático traçou as linhas, mas Boto criticou a falta de transparência, pois a transmissão não mostrou o frame exato do passe da bola, apenas os posicionamentos dos jogadores já na área.
O que José Boto pediu à CBF após a partida?
Boto pediu que a CBF defina e divulgue critérios uniformes para lances de toque de mão ou braço, válidos para todas as partidas do Campeonato Brasileiro. Ele também solicitou que a comissão de arbitragem esclareça publicamente se o movimento do braço de Wendell é considerado falta ou não, e que o sistema de impedimento semiautomático mostre o momento do passe para evitar dúvidas. A principal exigência é acabar com a interpretação subjetiva que gera polêmicas constantes.

